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Perguntas frequentes

A importância do aquecimento

    "O aquecimento é indispensável antes de qualquer actividade física. Para além de evitar e prevenir lesões graves, actua contra as dores no corpo.
    O grande intuito do aquecimento é preparar o organismo para o desporto, quer se trate de competição ou lazer. Os seus grandes objectivos passam por obter o estado ideal psíquico e físico, a preparação para os movimentos e principalmente a prevenção das lesões.
    Existem dois tipos de aquecimento: o geral e o específico.
                                                                                    Aquecimento geral
    O aquecimento geral deve possibilitar um funcionamento activo do organismo como um todo. Para isso, devemos fazer exercícios que utilizam de grandes grupos musculares. Correr é um bom exemplo.
    Já o aquecimento específico utiliza exercícios próprios para uma determinada modalidade. Aqui, os exercícios devem utilizar a musculatura exigida no desporto que será feito em seguida. O aquecimento específico deve ser feito após o aquecimento geral.
    Obter um aumento da temperatura corporal, da temperatura da musculatura e preparação do sistema cardiovascular e pulmonar para a actividade e o desempenho são os principais objectivos fisiológicos do aquecimento geral. Devemos elevar a temperatura corporal, pois ao atingir a temperatura ideal, as reacções fisiológicas importantes para o desempenho motor ocorrem nas proporções adequadas para aquela determinada actividade.
    A velocidade do metabolismo aumenta em função da temperatura, subindo 13% para cada grau de temperatura. O aumento da irrigação dos tecidos garante um melhor suprimento de oxigénio e substratos ao tecido. Quando o metabolismo está alto, torna as reacções químicas mais rápidas e mais eficientes.
    No lado preventivo, o aumento da temperatura reduz a resistência elástica e da resistência do atrito. A musculatura, os ligamentos e os tendões tornam-se mais elásticos tornando-se menos susceptíveis a lesões.
    Há também modificações importantes nas articulações, devido a uma série de mecanismos. As articulações aumentam a produção de líquido sinovial ( o líquido que fica dentro das articulações ) tornando-se mais resistentes à pressão e à força.                                                                                     Aquecimento específico
    Este tipo de aquecimento é fundamental nas modalidades desportivas coordenativas. Consiste em exercícios que se assemelham tecnicamente aos que serão executados na actividade posterior.
    Deve conter exercícios de alongamento e relaxamento que funcionam como profilaxia de lesões, além de garantir um bom alongamento da musculatura que será trabalhada.
    Com exercícios direccionadas aos principais grupos musculares da actividade, há um redirecionamento sanguíneo para estas regiões, tornando-as mais irrigadas e supridas de oxigénio. Isto porque o aumento da temperatura corporal não é proporcional ao aumento da temperatura muscular. Existe uma diferença na velocidade de aumento destas temperaturas. Factores que influenciam o aquecimento:
Idade Variação do tempo e da intensidade de acordo com a idade. Quanto mais velha é a pessoa, mais cuidadoso e gradual o aquecimento deve ser, ou seja, mais longo.
Disposição Psíquica A falta de motivação reduz os efeitos do aquecimento.
Estado físico Quanto mais treinada é a pessoa, mais intenso deve ser o seu aquecimento. Deve ser ajustado para cada pessoa e para cada modalidade. Nunca se deve fazer actividades ou exercícios aos quais não se está acostumado.
Período do dia Pela manhã e à noite o aquecimento deve ser mais gradual e mais longo. Durante a tarde o aquecimento pode ser mais curto.
Modalidade Deve ser realizado de acordo com a modalidade praticada. Neste ponto ainda devemos prestar atenção nas características individuais do desporto.
Temperatura ambiente Em tempos quentes o aquecimento deve ser reduzido, em dias frios ou chuvosos o tempo do aquecimento deve ser alongado.
Momento do aquecimento O intervalo ideal entre o final do aquecimento e o início da actividade é de 5 a 10 minutos. O efeito do aquecimento perdura de 20 a 30 minutos. Após 45 minutos a temperatura corporal já retomou a sua temperatura de repouso."

    Saúde – Semanário
    n.º 3, 25 de Abril de 2006

Lesões… Uma questão natural ou talvez não?

     A vida de um bailarino é feita de grandes emoções, de muita alegria e satisfação, mas também de muito trabalho, esforço, empenho e sobretudo de muito sacrifício e algumas (muitas) dores.
    De facto, moldar o corpo e o espírito a um trabalho diário, intenso e rigoroso, com o objectivo de ultrapassar constantemente as suas próprias limitações na procura da perfeição, não pode ser encarado como uma tarefa  fácil.
Desde o início que um bailarino deve tomar consciência desta realidade, aprendendo não apenas a técnica da sua arte mas fundamentalmente a conhecer o seu corpo como o seu mais precioso instrumento de trabalho.
    Neste sentido, os bailarinos não são em nada diferentes de qualquer atleta de alto rendimento. Em qualquer dos casos, e qualquer que seja a modalidade que nos sirva de referência, desde a ginástica ao atletismo, natação, etc, o jovem deve estar preparado, física e psicologicamente, para conviver com o cansaço, a fadiga, as dores e as lesões.
    Este facto é tanto mais verdadeiro quanto a necessidade de algumas modalidades se iniciarem em idades relativamente precoces e necessitarem de períodos longos de desenvolvimento e maturação dos atletas, para que se atinjam níveis elevados de excelência, sendo que os casos mais evidentes serão a ginástica e a dança.
    Concentremo-nos então nestes casos particulares. A iniciação na modalidade deverá ser feita, preferencialmente, no nível etário dos 6 aos 10 anos. A carga de esforço será, nesta fase, moderada, com a aprendizagem da técnica base, procurando-se simultaneamente trabalhar as capacidades motoras, como a flexibilidade e a força, e a postura, essenciais a essa mesma aprendizagem.
    A partir desta fase, o jovem passará a estar sujeito a uma carga de esforço considerável, que irá crescendo ao longo do tempo em paralelo com a exigência imposta ao nível da aquisição das técnicas específicas. Esta realidade impõe a necessidade de um ritmo de trabalho diário e regular, intenso e constante, que não deverá ser quebrado por períodos de pausa demasiado prolongados.
    Este esforço físico tem inevitavelmente consequências, sendo a sua expressão mais visível ou imediata o aparecimento de lesões.
    É fundamental que estes jovens, e os adultos por eles responsáveis, aceitem esta realidade, não como uma fatalidade, mas como uma consequência natural que deve ser sempre vigiada mas que na maioria dos casos, felizmente, não necessita de ser dramatizada.

    Detalhando:
    Existem dores ou maus estares que não correspondem a quaisquer lesões. O jovem deverá apreender a reconhecer estas situações, distinguindo as dores “normais”, que nada mais são do que a consequência natural do princípio da sobrecarga e que significam que o trabalho muscular está a ser bem executado, de quaisquer outras que possam indiciar uma futura lesão. Competirá ao professor colaborar nesta tarefa, ajudando o aluno a conhecer o seu próprio corpo.
    Existem lesões perfeitamente benignas, que correspondem ao processo natural de crescimento dos jovens e que embora devam ser acompanhadas e vigiadas não carecem, nem justificam, paragens no ritmo das aulas nem tratamentos “exagerados”. Não se combate uma mera constipação com os meios adequados ao tratamento de uma pneumonia. É fundamental o apoio de técnicos especialistas que avaliem a situação e que possam fazer o acompanhamento da sua evolução.
    Existem lesões mais ou menos graves, que regra geral obrigam a interrupções da carga de esforço e consequentemente a paragens ou alterações do ritmo das aulas. Estes casos sim, devem ser merecedores da maior atenção, quer dos professores quer dos técnicos responsáveis, não apenas no sentido de acelerar a recuperação, mas sobretudo na preocupação de evitar recaídas desnecessárias e sequelas futuras.
    Importa referir, que vários estudos permitem concluir que os jovens sujeitos a esforços contínuos e precoces apresentam uma cronologia pubertária e pós-pubertária diferente da maioria dos outros jovens, revelando, em regra, um “atraso” dos saltos pubertários (os chamados saltos de crescimento - exemplo evidente é, no caso das raparigas, o retardar da idade da menarca).
    Tratando-se de uma situação perfeitamente normal no quadro de desenvolvimento padrão destes jovens, é contudo necessário compreender que tal implica que determinadas idades revelem uma maior predisposição para o aparecimento de alguns tipos de lesões.
    Assim, as zonas sujeitas a um esforço acrescido serão as mais susceptíveis a este tipo de situações, como sejam, por exemplo, o caso das zonas articulares dos membros inferiores (tornozelos e joelhos), os pés, os músculos do interior da coxa, etc.
    É fundamental que os jovens tomem consciência das potencialidades do seu corpo, mas também das suas limitações, procurando executar trabalhos preparatórios de “aquecimento”, de “alongamentos” e afins, com uma determinada duração ou extensão.
    O objectivo será o de proporcionar uma maior e melhor resposta muscular, tendinosa, ligamentar e articular ao esforço. No caso específico dos “alongamentos”, existe a garantia de auxiliarem no processo de combate aos processos inflamatórios. Estes procedimentos, poderão assim funcionar como factores que tendem a minimizar o aparecimento de lesões crónicas ou continuadas.
    Em resumo, os jovens devem aprender a:
    • Ter consciência das suas limitações, a identificar claramente os seus “pontos fracos” e a trabalhar adequadamente para os contornar,
    • Saber identificar cada situação de dor ou de mau estar e como actuar em cada caso,
    • Distinguir as diferentes situações em função da sua potencial gravidade
    • Prevenir o agravamento de pequenas lesões, que se mal enquadradas se podem tornar mais graves ou mesmo crónicas.
    É fundamental que os pais e/ ou adultos responsáveis por estes jovens assumam também esta vertente, revelando-se atentos e apoiantes mas evitando procurar causas inexistentes e comportamentos inadequados às situações.

    Ana Paula Amaral

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